Filme de Raio X

A descoberta do uso do filme de Raio X se deu após uma conversa com o Amilcar, que tinha visto alguma referência na internet sobre o seu uso.
O filme de grande formato sumiu do mercado no Brasil faz tempo, deixando órfãos os poucos aficionados que ousavam fotografar em grande formato.
A opção de comprar de fora foi se complicando, com a difusão do comércio eletrônico a fiscalização bateu firme, material novo com altas taxações gerando preços absurdos. Usado acabou, não vem mais nada comprado do Ebay, estão pegando tudo.
E se alguém ousa comprar tem um outro problema, com os terrorismos o uso e a força dos Raio X de inspeção aumentaram, vela tudo.
No Brasil o formato mais usado foi entre o 9x12cm e o 4×5 polegadas. O 13x18cm e o 5×7 polegadas bem menos, até os anos 60. Formatos maiores, o 8×10 foi muito raro por aqui, e só no início do século passado se usou o 18x24cm ou maior, por conta da ausência de ampliadores e o uso de cópias por contato.
Estes filmes são diferentes do fotográfico tradicional, não fornecem a mesma nitidez fina em ampliações. A camada de prata é mais delgada, e curiosamente reveste os dois lados do suporte; ou seja forma uma imagem dupla, e isto diminui a nitidez fina. O segundo problema é o fato da ausência da camada anti-halo faz com que a luz bata no fundo e na outra camada e volte, também contribuindo para a diminuição da acutância.
Tem também a questão do espectro de sensibilidade, a maioria dos filmes é ortocromático, ou seja são menos sensíveis à luz vermelha, resultando numa reprodução de cinzas distorcida, principalmente para tons de pele, lábios, que se tornam pretos caso sejam rubros.
Mas para cópias por contato ou pequenas ampliações funcionam mais do que bem, e são muito sensíveis, pelos testes feitos em geral ISO 200 para os filmes mais comuns das marcas Fuji, Agfa, IBF que testamos.
Outro problema gerado pela emulsão dupla é a facilidade de riscar na manipulação molhada, os dois lados riscam, e com muita facilidade, o que exige cuidados especiais na revelação em banheira, sendo preferencial o uso de colgaduras ou tanques. Tenho feito um fixador com alúmen para endurecer.
A sensibilidade ao espectro vermelho é baixa, mas como o ISO é alto, vela com facilidade se usada a luz vermelha da forma como se usa com o papel Preto e Branco. A lanterna de segurança tem que ser bastante atenuada, umas 5 vezes mais escuro.
Recomendo revelar em uma parte mais escura do laboratório e inspecionar sob uma luz vermelha bastante tênue. Nos laboratórios da UNB e da Casa de Cultura Mario Quintana o procedimento adotado foi apagar quase todas as lanternas, deixando uma na zona de revelação virada para o teto, e não revelar sob a lanterna, e sim um pouco mais distante.
O Filme de Raio X vela com muita facilidade, quase todos os colegas que fizeram testes velaram os primeiros filmes.
Portanto, o manuseio, corte e carregamento dos chassis recomendo que seja feito sob uma luz muuuito atenuada, prefiro até escuridão completa.
A outra grande vantagem do filme de raio x é o preço; por ser material de uso médico a taxação de impostos é baixa, resultando em um preço altamente acessível para uso em práticas educativas.
Neste início de 2016 um envelope de papel com 25 folhas custa em torno de 160 reais, o que dá um preço de 6 reais por folha. Já uma caixa de filmes com 100 folhas custa 130 reais, o que dá 1,3 reais por folha, ou seja 4,6 vezes mais barato que o papel!
Para revelação tenho adotado o revelador fotográfico de papel, tenho usado o Dektol, que tem atingido preços proibitivos, 160 o envelope de 1 galão ou 3,8 litros. O Manuel e o Wladimir compraram revelador líquido de Raio X, o Amilcar tem preparado na CCMQ.
Enfim, trata-se de uma grande solução para uso didático, ou mesmo para brincar de grande formato. Eu que trabalhei nos anos 70 em uma empresa (Visor-MPM) que tinha uma Sinar 4×5, 5×7 e 8×10, sempre sonhei em fotografar maior, lá não tinha nem colgadura e nem filme se conseguia… E não era por falta de dinheiro…

30-4014

Agora matei minha vontade, e já fiz um negativo 30x40cm, resta construir a câmera, que vou tocando aos poucos, não quer fazer algo muito trambolho e pesado, quero sair com ela….

em_construcao_22….conteúdo em construção…..